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Embates de 2017 (ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO 31/01/2017)

No imaginário popular, o ano só começa após o Carnaval. Mas 2017 começou mais cedo e promete acabar mais tarde. Assim como não tivemos a ressaca pré-carnavalesca, dificilmente teremos o tradicional relaxamento natalino. O ano promete.

Começou com chacinas nos presídios, a cúpula do governo denunciada nas operações policiais/judiciárias, desemprego monstruoso, fracasso na economia, falência de Estados e municípios e a posse de Trump ampliando o obscurantismo. Tragédia de toda ordem!

As novas medidas antipovo e antinação anunciadas por Temer explicitam o real objetivo do golpe: trocar a política social em curso pelos velhos fundamentos neoliberais e parar as operações de combate à corrupção. Por enquanto, as medidas adotadas ou anunciadas só agravam a situação, e aliados já esboçam incômodo com o rumo do governo. O debate central de 2017, portanto, será sobre duas pautas antagônicas.

A partir desta quarta (1º), retomaremos a dura batalha travada no Congresso. Serão momentos tensos, de muito embate, porque a pauta é tensa. As reformas propostas por Temer (Previdência, trabalhista, política, telecomunicações) representam duro golpe contra os trabalhadores e contra a nação.

Elas têm como objetivo central retirar direitos, precarizar as relações de trabalho, restringir a política aos partidos controlados por eles e viabilizar a entrega do patrimônio público ao capital privado, como os R$ 100 bilhões de bens públicos que Temer quer repassar às empresas de telecomunicação.

De nossa parte, lutaremos para impedir que os trabalhadores percam direitos, que a democracia seja golpeada e o patrimônio público, dilapidado. Uma preocupação adicional deve unir todos nós, de oposição, e mesmo os parlamentares governistas com algum compromisso patriótico: a defesa de nossa soberania, para evitar a entrega de nosso patrimônio ao capital estrangeiro e para impedir que, sob os escombros da Lava Jato, só restem empresas estrangeiras operando no Brasil.

Nesta quarta teremos eleição das mesas legislativas. A tradição do Senado é de respeito ao regimento, baseada na correlação de forças das bancadas. Não se trata, portanto, de uma disputa propriamente dita. Essa já foi definida nas eleições gerais, e, se assim não fosse, jamais a oposição ocuparia espaços importantes no Parlamento.

Neste momento atípico, porém, em que a democracia foi e está sendo profundamente golpeada, entendo que as forças democráticas e progressistas precisam se apresentar unidas. Adotar uma posição que garanta, a nós e ao movimento popular, não apenas marcar posição, mas melhores condições de enfrentar esses duros embates.

 

Folha_de_São Paulo 31_de_Janeiro_de_2017 Primeiro_Caderno pag 2