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Retrocessos no Planalto (ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO 14/03/2017)

Assistimos atônitos às recentes declarações dos presidentes da Câmara e da República. De tão absurdas, muitos tiveram dificuldades em acreditar na sua veracidade.

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao expressar seu apoio à reforma trabalhista, reclamou do excesso de regras nas relações do trabalho e sugeriu, sem nenhuma cerimônia ou constrangimento, que a Justiça do Trabalho “não deveria nem existir”.

Revela, assim, não o desconhecimento sobre a fragilidade dos trabalhadores, cujos direitos são vilipendiados a todo instante, mas seu total desprezo pelos mais humildes e a repulsa aos seus mínimos direitos.

Michel Temer foi mais longe. No dia 8 de março, “homenageou” as mulheres, afirmando que elas são muito boas para a casa e para o cuidado com os filhos. E ainda são boas na economia, fiscalizando os preços nos supermercados.

Diante da avalanche de críticas contra o presidente, seus defensores tentaram explicar o inexplicável, sugerindo que foi apenas uma gafe.

Complicavam-se cada vez mais, tal qual quando Temer justificou a ausência de mulheres no seu ministério, argumentando que havia escolhido ministros por critérios técnicos e de mérito. Por acaso as mulheres são desprovidas de méritos e capacidade técnica? Sem mencionar que, dos oito que deixaram governo, cinco desses “meritocráticos” saíram por razões nada meritórias.

Portanto o que Temer diz e faz nada mais é do que expressar sua profunda convicção quanto ao papel que ele define para a mulher na sociedade: “belas, recatadas e do lar”.

Essa agressão contra as mulheres é inaceitável, indigna de um presidente. Especialmente no momento em que a ONU reforça a luta “Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero” e que vários países já se aproximam da paridade nos espaços de poder, sobretudo nos parlamentos, mas aqui no Brasil ainda amargamos a vergonhosa participação de 10%.

Temer fez como o então chanceler Serra, que meses atrás disse, no México, país onde metade dos senadores são mulheres, que aquele exemplo é um perigo para o Brasil, cuja política é dominada pelos homens.

A verdade é que Temer e boa parte de sua equipe acreditam, de fato, que as mulheres nasceram para servir e eles, para mandar. Que a maioria nasceu para trabalhar e enriquecer uma pequena minoria.

Não há surpresa em suas manifestações. Expressam convicções ideológicas de defesa exacerbada da exploração dos trabalhadores e profunda discriminação de gênero.

Portanto, se não lhes falta informação, sobra convicção antipovo. Mas, se não avançarem, em breve serão varridos junto com sua carga de opiniões e práticas retrógradas, machistas, discriminatórias e injustas!

http://m.folha.uol.com.br/…/1866223-retrocessos-no-planalto…

Folha_de_São Paulo 14_de_Marco_de_2017 Primeiro_Caderno pag 2