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Reformas de Temer estão inviabilizadas (ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO 04/04/2017)

O governo Temer continua espalhando inverdades e distorcendo a realidade acerca da reforma da Previdência, apesar das decisões judiciais que tiraram do ar a propaganda oficial exatamente pelo seu conteúdo tendencioso e pelos dados questionáveis.

Afirmam que “só quem reclama das mudanças na Previdência são os que ganham mais, pois a proposta não prejudicará o trabalhador de baixa renda” e repetem à exaustão que “ou se faz a reforma ou as próximas gerações ficarão sem seus benefícios”.

Temer semeia o terror para colher o pânico, mas fracassou. Não conseguiu angariar apoio popular nem aglutinar sua base parlamentar. Contra fatos não há argumentos.

Os trabalhadores e trabalhadoras serão os principais prejudicados. Sabem eles que a crise econômica e o desequilíbrio das contas públicas não decorrem dos parcos benefícios que recebem.

Reformas são necessárias, caso da tributária e da base. Mas não podem servir para prejudicar o povo. O problema do Brasil não é a Previdência, mas a falta de crescimento econômico e a opção do governo em favorecer o capital especulativo. Neste ano, a previsão de deficit da Previdência é de R$ 170 bilhões e o reservado para o pagamento de juros é de R$ 870 bilhões.

Essa reforma é uma agressão aos trabalhadores: 49 anos de contribuição, 65 anos de idade, corte de 50% do valor das pensões por morte, mínimo de 25 anos de contribuição dos trabalhadores rurais, impedimento do acúmulo de aposentadoria com pensão, mesmo que a soma seja de apenas 1,5 salário mínimo, e retirada do justo direito das mulheres de se aposentarem antes dos homens.

A população sabe que essa reforma não é para cortar excessos, regalias ou privilégios. Caso aprovada, os grandes prejudicados serão os mais pobres, que perderão direitos e renda com o consequente aprofundamento da injustiça e da desigualdade. Por isso, não encontra apoio em nenhum segmento da nossa sociedade, nem mesmo na base governista.

As dificuldades do Planalto, portanto, não são de fácil solução. Se nove senadores do PMDB, incluindo seu líder, já se posicionaram contra a sanção da Lei da Terceirização, certamente não apoiarão a reforma da Previdência! Já se fala até mesmo em “separação litigiosa” entre Temer e seu líder no Senado. Temem por 2018?

A crise no âmbito do governo é grave e a tendência é de acirramento, seja pelas dificuldades políticas, seja pelos protestos crescentes ou pela instabilidade provocada pela Lava Jato.

Temer e os seus auxiliares, elevando o tom nas negociações e numa atitude desesperada, dizem que “sem essa reforma o governo acaba”. Tudo indica que é esse o caminho que estão trilhando.

Folha_de_São Paulo04_de_Abril_de_2017 Primeiro_Caderno pag 2